quarta-feira, 5 de julho de 2017

Mulher Maravilha - o filme

Para alguns ditos machões acredito que deve ser desconfortável assistir a algumas cenas do filme (exceto pelo apelo visual da bela Gal Gadot e seus “biquinhos” sensuais a cada close).
Uma mulher, falando sua opinião entre um grupo formado só por homens? E ainda por cima afrontando a decisão da maioria? Uma mulher usando roupas confortáveis e adequadas para lutar, sem ver a exposição do seu corpo como algo perigoso? Uma mulher que toma a iniciativa que nenhum outro homem teve em um front de batalha? Quem é essa mulher? No filme, uma deusa inconsciente de sua condição, mas no mundo real, podia ser qualquer pessoa que porte dois genes X,caso fosse criada numa sociedade onde o machismo já seria obsoleto.
Minha opinião é tendenciosa, pois sou mulher, cis e feminista, mas é muito legal sim ver finalmente uma heroína nas telonas. E eu, que nunca li os quadrinhos originais, fiquei ávida por saber mais desta carismática personagem. Uma atitude diferente dos outros super-heróis durante o enredo do filme.  Uma atitude feminina, sinuosa e cheia de reflexão e aprendizado conforme passa pelas adversidades de seu caminho. Defendendo sua verdade até perceber que não estava certa sobre ela, e mudar sua ideologia sem ter seu orgulho ferido.
Diana Prince é forte, inegavelmente. E os homens a sua volta precisam aprender a lidar com essa situação. Ela é deslumbrante, e não precisa ser defendida. De fato, é ela quem os defende. Como interagir com uma mulher que faz tão pouco caso de homens pois eles são “dispensáveis para o seu prazer, necessários apenas para a reprodução”? Resta-lhes apenas o um caminho pioneiro e desconhecido: o respeito, com um tanto de admiração.
Sem unhas ou saltos quebrados, Mulher Maravilha é uma experiência cinematográfica prazerosa e refrescante, com alguns clichês inevitáveis, mas também surpresas, socos e chutes.


Cena do filme Mulher Maravilha

sábado, 11 de janeiro de 2014

sobre a morte

E hoje, depois de uma maratona de mais ou menos 6 horas, terminei de assistir a segunda e derradeira temporada da série Dead like me. Se os bons morrem jovens, boas séries não têm muitas temporadas. Parte de mim quer conhecer e conviver mais com os personagens; a outra fica feliz que a série tenha sido ótima enquanto durou. Eu cheguei a assistir alguns capítulos quando ela de fato passava em algum canal da tv paga, há 10 anos atrás, e desde lá eu nunca me esqueci da história da menina que morreu atingida pelo assento sanitário de uma estação espacial e se tornou uma ceifadora de almas. Roteiro fantástico!
Fantástico também foi a sensação de assistir às duas temporadas da série, dez anos depois, e gostar tanto quanto antes ou ainda mais. Muitas coisas mudaram em minha vida nestes dez anos, muitas coisas aconteceram, mas o meu gosto por assuntos exotéricos e metafísicos não. Essa série é a cara de quem tem lua na 8ª casa astrológica, como eu – gosto e atração por assuntos ligados à morte e o que vem depois. E fiquei ainda mais extasiada de ver, durante os episódios, que a personagem principal George é taurina e nasceu no ano de 1985 (como eu).
O ano definitivo em que eu simplesmente compreendi o quanto a morte é repentina e pode acontecer a qualquer momento e de qualquer forma (como enfatiza esta série) foi 2001. Neste ano eu devo ter ido a uns 5 velórios de pessoas próximas, incluindo o do meu avô paterno, o do melhor amigo da minha irmã e de um amigo o qual eu era apaixonada, nos meus tenros 16 anos. Neste último, o enterro teve direito a uma roda de adolescentes (a qual eu fiz parte) cantando a música Fogo do Capital Inicial em homenagem ao outro adolescente morto, por suicídio. Não é fácil entender.
Recentemente, fui ao velório de uma ex-vizinha que participou ativamente da minha criação e foi uma grande amiga da minha mãe. Foi estranho ver a família dela, as filhas que têm a minha idade, uma delas esperando o neto que ela não chegou a conhecer. E, finalmente, no último fim de semana fui ao velório do irmão de uma amiga, que também tinha a minha idade, morte por doença. Por mais que eu não seja íntima dela, sei que o sentimento que ela tinha pelo irmão é o mesmo que eu tenho pela minha irmã, então eu posso imaginar o quanto está sendo difícil passar por isso.
Embora seja a única certeza da vida, a morte é sempre tratada com aversão e medo. Não importa a sua religião, ao perder uma pessoa próxima normalmente ficamos sem chão. A minha fé diz que o corpo morre, mas a alma continua em seu caminho de evolução. E visto que a morte não é um fim e sim uma passagem, é um grande egoísmo nosso ficarmos tão abalados. A pessoa não deixou de existir, só não conseguimos mais nos comunicar diretamente com ela. E onde está a confiança em Deus, ou na Providência? Todos temos o nosso “prazo de expiração”, e não cabe a nós julgar se era cedo ou tarde, certo ou errado.

Acho que a melhor maneira de passar por isso se resume nos velhos ditames: “viva cada dia como se fosse o último”, “aproveite ao máximo cada momento com as pessoas que ama” e “não espere para dizer que as ama”. A existência é frágil, mas a vida é eterna.